122 dias... - Aonde a espontaneidade nos leva?

Eu lia um livro, como sempre. Estava desta vez, em uma posição confortável, dessas que você simplesmente acha: deitada no sofá com a cabeça para baixo, a ponta de meus cabelos tocava o chão ao mesmo tempo que meus pés estavam para cima.
Curtia um domingo lendo na casa de uma amiga, de shortinho e casaco, sem vontade de fazer mais nada.
Acabou que lá pelas tantas eu acabei o livro. Bem, admito que simplesmente peguei outro, mais grosso desta vez. Devo dizer que e me previno e não saio de casa sem um bom livro.
Já havíamos almoçado, o irmão dela estava viajando, o que me deixou com um super bom humor (mas essa já é outra história) e nosso dia corria tranquilo.
Um capricho do destino me fez largar meu livro(com um pouco de aflição, mas eu já havia lido ele mais de 10 vezes... eu podia superar.) e fez com que eu conhecesse ele.
Ah ele! Com aquele sorriso metálico que se abria quando ele olhava para mim. Forcei-me a não olharam foquei-me em minhas amigas, mas espiava o garoto com o canto do olho, por entre meus cabelos.
Ele começou a jogar volei quando eu me sentei para tomar um refrigerante. Dando a desculpa de que meus instintos não me deixavam ficar sentada, levantei-me e me juntei a ele e ao outro garoto, sem deixar transparecer meu interesse. Como ele era alto! Eu já assusto com meus 1.69, imagina ele, que era maior que eu!
O amigo dele era bem menor que nós dois, era menor que minha amiga de 12 anos!
Ele roubava minha bola várias vezes e pedia desculpa rindo pra mim, abrindo cada vez mais o sorriso. Eu desculpava, lógico, qualquer garota o faria diante um garoto charmoso como ele era.
No fim da tarde sobramos eu, minha amiga e os dois garotos. Paramos de jogar com os braços vermelhos por causa da bola de futebol.
Conversamos muito, planejamos uma macumba - de brincadeira claro- que exigia farofa, descemos a ladeira correndo para buscar a bola umas três vezes, entramos na padaria para pegarmos os emails uns dos outros. Nos divertimos muito até a mãe de minha amiga chegar para nos buscar, a culpa foi do tempo que passou rápido demais. Talvez seja por isso que a mãe dela não goste que ela saia conosco - no plural, por que comigo não tem problema nenhum- ela deve achar que eles são irresponsáveis. Pode até ser que sejam, mas qualquer um de nossa idade é meio sem limites! Adolescente é assim mesmo.
Quer dizer, eu até entendo que mães fiquem preocupadas, mas elas devem confiar no nosso julgamento também. E tem essa coisa de querer segurar os filhos, nós precisamos de liberdade também. Quando elas querem sair não somos nós que impedimos. Mas tudo bem. /

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