Tanto tempo.

Tanto tempo. Me mantive em silêncio, sem desabafar. Ainda dói dizer em voz alta o que houve (ou melhor, escrever nesse caso). Mas não escrevo para dar voz a meus lamentos, acho que fiz o certo. Espero que tenha feito. Não quero aborrecer ninguém com minhas lamúrias, mas ainda dói. Esse sentimento de perda veio com o inevitável. Não presciso narrar o que houve para me fazer entender. Dizem que um único olhar basta. O meu nesse momento, confira na foto, aparenta estar sereno, calmo. Quanto a isso digo apenas que disfarço bem.
Não deixo minhas emoções transparecerem. Na verdade tenho escondido o que sinto muito bem. Isso me lembra, já percebeu que quando agente chora uma lembrança leva a outra? Uma lembrança vai me levando até que eu fique com um soluço desesperado. Depois minhas lágrimas se acalmam e vem um choro baixinho. Os olhos inchados, um suspiro profundo e... Acaba.
Uma coisa leva a outra em um mundo onde tudo está interligado. De lágrima em lágrima um machucado cicatriza, um coração se recupera, caco a caco. Leva tempo. Tempo que talvez nem mesmo uma ampulheta possa contar. Tempo que passa a cada grão que cai, ansioso para se juntar aos outros... Tempo que parece ir cada vez mais devagar, que me deixa congelar nesse frio. Tempo que me molha, não sei se de chuva ou de lágrimas. Tanto tempo.

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