In Rio (2)

Segundo dia no Rio. Acordei com minha mãe batendo na janela (aquele toc toc estava enchendo o saco... Levantei quando não consegui mais ignorar) porque estava presa do lado de fora. Sim, de fora, na varanda. Como ela se prendeu? Não faço ideia. Mas depois que ficou insuportável o barulho eu levantei cambaleante e fui abrir a porta pra ela. Resumindo o resto do dia, nos perdemos no rio, fomos á biblioteca nacional, nos perdemos de novo, fomos ao CCBB e pegamos um ônibus e dois metros pra voltar pra casa. Tudo recheado de trovoadas esparsas!

Fora nos perdermos no centro do Rio duas vezes, acho que devo falar um pouquinho do resto do dia. Antes da biblioteca passamos na Confeitaria Colombo, durante um segundo, pois perdemos tempo de mais nos perdendo. A confeitaria é linda! E quanto doce! os poucos minutos que passei la já me deixaram com gostinho de quero mais. Saímos cada uma com um doce na boca, comendo na rua. A biblioteca foi legal, mas eu não consegui chegar perto dos livros. Fiquei morrendo de vontade de escalar aquelas paredes pra chegar até as estantes. Depois começou a chover e eu estava com um all star vermelho encharcado. Literalmente. Foi quando nos perdemos pela segunda vez e compramos o guarda-chuva rosa que ninguém nunca mais vai usar. O incrível é que não vi nenhuma capa de chuva o dia inteiro. Chegamos ao CCBB, onde entrei numa livraria pra ver um livro de perto. Só tinham livros de arte, não estou reclamando. Depois vimos uma mini-exposição de arte contemporânea e voltamos pra chuva. Pegamos um ônibus e ele ficou preso no trânsito horas, a ponto de eu me entediar e tirar um milhão de fotos atoa. Descemos e pegamos o metro. O negócio é que ele parou. Simplesmente parou entre uma estação e outra. Saímos na próxima parada junto com mais metade das pessoas, que deve ter pensado que estava acontecendo um ataque terrorista ou que um pedaço do metro caiu, sei lá. Subimos e pegamos um metrô na superfície, já que o outro não chegava na nossa rua. Foi um dia bem legal! E meio molhado...
Mas bem, escutei conversas alheias durante o dia, então:
Conversas alheias cariocas:
(com direito a sotaque e tudo!)

Duas senhoras no centro:
-Vai, vai, vai, vai, vai Mariana!

- Mas tá chovendo...

- Ai, que saco! eu não consigo andar com vocÊ!


Um homem no celular, no ônibus:
O telefone da minha mãe é tal. Vai discutir comigo Marcelo? Ei! tem trinta anos que eu ligo pra minha mãe! Ah claro, a partir de hoje o telefone da minha mãe não é mais o mesmo que eu sempre liguei, minha vida toda!

Dois homens na rua:
-O tempo está abafado hoje.
-É, abafado.
-Tá abafado.
-Abafado.
-É tá bem abafado mesmo
(e eu pensando "abafado, abafado, abafado, abafado....")

E depois no metro na superfície:
Você viu a previsão do tempo de amanhã, vai chover... Mas você vai jantar lá em casa né? To no metro, indo pra casa dela... To encharcado! É, tempo doido...

E mais dois conversando:
-Mas você faz isso sempre?
-Todo dia.. Inferno!

-Caralh* Mermão, essa Porr* num anda não?

um tempo depois...

-E eu só escutava o carro Bibibibiibibi!
-É, eu sempre vejo esses acidentes assim...
-Meow! Meeooow!
(ele começou a imitar um gato??)

e algum tempo depois:

-Zoa, zoa mesmo! Ou, isso não anda não?
-Parece que estamos parados porr*!
-Ai mermão, vamo ali... Tem lugar...

So... bye!

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